13 DIAS, 13 NOITES
De certa forma, o título é um spoiler. A Operação Apagan, conduzida pela França, levou 13 dias para evacuar 2805 pessoas de Cabul recém-ocupada pelos talibãs após a retirada das forças estadunidenses em 2021. Parte dessa história foi contada por Mohammed Bida, argelino de nascimento e chefe de segurança da embaixada francesa, no seu livro 13 Dias, 13 Noites no Inferno de Cabul. Na pele do ator Roschdy Zem, Bida é o personagem central dessa adaptação para o cinema.
Ele é uma figura heroica, capaz de desobedecer ordens e colocar-se em risco para resgatar cerca de 400 civis refugiados na embaixada. A operação depende de negociar com a sanha sanguinária dos talibãs, vilões relativamente fáceis de caracterizar. Sob ameaça de um ataque ainda pior do Estado Islâmico, Bida e sua equipe contam com a ajuda de uma jovem intérprete (Lyna Khoudri), com quem o comissário tem uma relação meio paternal. O vínculo entre pais e filhos, reais ou vicários, aliás, é um elemento recorrente para frisar o lado humano e individual da empreitada.
Como thriller de fuga, 13 Dias, 13 Noites (13 Jours, 13 Nuits) é lancinante e persuasivo. Alguns o criticam por fechar o foco na disposição dos franceses para salvar os civis que se refugiaram na embaixada, enquanto o povo de Cabul é visto como uma massa desesperada em busca de refúgio e saída do país. Essas restrições não me parecem justas. Afinal, não se trata de um filme “sobre o povo afegão”, mas de criar personagens que sirvam como metonímia da situação geral.
Por certo, Martin Bourboulon não fez um filme frontalmente político. Afora o senão de um secretário do Ministério das Relações Exteriores da França, visto rapidamente, e a hesitação de alguns funcionários da segurança da embaixada, os franceses se saem bem na foto. Não há referência à irresponsabilidade do governo Biden em retirar os soldados dos EUA enquanto o país estava à mercê do horror talibã.
O filme se apresenta como drama de uma cidade em situação extrema (filmada em Casablanca, Marrocos) e nos coloca no olho do furacão com rara eficiência. São vários os momentos de suspense bem construído, com uma produção robusta em matéria de figurantes e locações. Não há como ficar indiferente a essa representação de momentos excruciantes que entrevimos na mídia cinco anos atrás.
>> 13 Dias, 13 Noites está nos cinemas.




